Gurgel foi uma fabricante de automóveis brasileira, desenvolvidos pelo engenheiro João Augusto Amaral Gurgel. Com a proposta de produzir veículos 100% nacionais, o empresário montou em 1969, na cidade de Rio Claro (interior do Estado de São Paulo), a fábrica de carros que levava o seu nome (originariamente a fábrica fora criada em São Paulo, na avenida do Cursino, Jardim da Saúde, tendo mudado para a cidade de Rio Claro nos fins dos anos 70). A montadora produziu mais de 40 mil veículos genuinamente brasileiros durante seus 25 anos de existência.[1]
O registro da marca Gurgel encontrava-se expirado no INPI desde 2003. Em 2004, o empresário Paulo Emílio Freire Lemos adquiriu a marca pelo valor deR$ 850,00. A família Gurgel não foi consultada e por isso decidiu mover uma ação judicial contra o empresário.[2]
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A Gurgel foi fundada em 1º de setembro de 1969 pelo falecido engenheiro mecânico e eletricista João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, que sempre sonhou com o carro genuinamente brasileiro.[nota 1] Gurgel começou produzindo karts e minicarros para crianças. O primeiro modelo de carro foi o bugue Ipanema[nota 2] e utilizava chassi, motor e suspensão Volkswagen.
Em 1973 chegava ao mercado o Xavante, que deu início ao relativo sucesso da marca. Este foi o principal produto durante toda a evolução e a existência da fábrica. Este jipe seguia a tendência dos bugues de sua época e tinha como características diferenciais um chassi feito deplasteel (projeto patenteado pela Gurgel desde o início de sua aplicação, era uma união de plástico e aço, que aliava alta resistência a torção e difícil deformação), uma carroceria de plástico reforçado com fibra-de-vidro (FRP)[nota 3] e o selectraction.[nota 4] O Xavante logo agradou ao público, por sair da concepção tradicional dos bugues, e ao Exército brasileiro, que fez grande encomenda - havia uma versão militar especialmente produzida para este fim, o que deu impulso à produção.[carece de fontes]
Em 1975, houve a primeira reestilização do modelo. Além do jipe Xavante, existia o modelo X12, versão civil do jipe das forças armadas. Um ano antes, em 1974, a Gurgel apresentava o Itaipu, um projeto pioneiro de carro elétrico. Em 1976 chegava o X12 TR, de teto rígido, com o chassi Plasteel e uma garantia inédita de fábrica de 100.000 quilômetros.
Entre 1977 e 1978, a Gurgel foi o primeiro exportador na categoria veículos especiais e o segundo em produção e faturamento.[carece de fontes]Cerca 25% da produção seguia para fora do Brasil. Eram fabricados 10 carros por dia, sendo o X12 o principal produto da linha de montagem. A unidade de negócios era o Gurgel Trade Center, numa importante avenida da capital paulista. Havia um escritório executivo e um grande salão de exposição, além de um centro de apoio técnico aos revendedores.
Em 1979, toda a linha de produtos foi exposta no Salão do Automóvel de Genebra, na Suíça, onde o jipe brasileiro teve boa recepção. Ainda naquele ano foi lançado o furgão X15.[carece de fontes]
No final da década de 1970, a fábrica tinha uma área de 360 mil m2, dos quais 15 mil eram construídos. Contava com 272 empregados entre técnicos e engenheiros, que dispunham de assistência médica e transporte. Só era menor em número de funcionários do que a Puma, no que se referia a pequenos fabricantes.[carece de fontes]
Em 1980 a linha era composta de 10 modelos. Todos podiam ser fornecidos com motores a gasolina ou álcool, apesar de o engenheiro Gurgel combater muito o combustível vegetal.[nota 5] Ainda naquele ano, foi testado - depois de cinco anos de estudos -mais um veículo de tração elétrica, o Itaipu E400. Este furgão foi primeiramente vendido a empresas para testes. Depois da versão furgão, seriam lançados modelospicape, de cabines simples ou dupla, e em 1983 o Itaipu E400, para passageiros. Com a mesma carroceria foi lançado um modelo com motor Volkswagen "a ar" e dupla carburação, denominado G800. Em 1984, a Gurgel lançava o jipe Carajás, com versões TL (teto de lona), TR (teto rígido) e MM (militar), mas apenas a TR entrou em linha.
Outros modelos novos foram o X12 TR (teto rígido e versão mais barata do X12), X12 RM (teto rígido e meia capota), o X12 M (este de uso exclusivo das Forças Armadas do Brasil), o X15 TR, o G15 L, o XEF, cada qual com seus acessórios específicos.
Em 1986 o X12 passou a se chamar Tocantins, acompanhado de ligeira reforma estética.
Além dos utilitários, Gurgel sonhava com um minicarro econômico, barato e 100% brasileiro para os centros urbanos. No 7 de setembro de1987[nota 6] foi apresentado o protótipo Cena, acrônimo de "carro econômico nacional", um minicarro projetado para ser o mais barato do país. Os motores, de configuração única no mundo, eram como os VW 1.300 e 1.600 cortados ao meio: dois cilindros horizontais opostos, 650 ou 800 cm3 , mas refrigerados a água. A potência seria de 26 ou 32 cv conforme a versão. Do protótipo se chegou ao BR-800, lançado oficialmente em 1988. O objetivo de projetar um carro com o preço final de US$ 3 mil não se concretizou, mas graças a um incentivo fiscal do governo brasileiro (que concedeu ao veículo o direito de pagar apenas 5% de (IPI), enquanto os demais carros pagavam 25% ou mais dependendo da cilindradas), o carro era vendido a um preço médio de US$ 7 mil - cerca de 30% mais barato que os compactos das montadoras transnacionais no Brasil.[carece de fontes] De início, a única forma de compra era a aquisição de ações da Gurgel Motores S/A, que teve a adesão de 8.000 pessoas. Sob uma campanha "Se Henry Ford o convidasse para ser seu sócio, você não aceitaria?", foram vendidos 10.000 lotes de ações. Cada comprador pagou os US$ 7.000 pelo carro e cerca de US$ 1.500 pelas ações, o que se constituiu um bom negócio para muitos - no final de 1989 havia ágio de 100% pelas mais de 1.000 unidades já produzidas.[carece de fontes]
Antevendo a crise que se instalaria na empresa, modelos como o X12 deixaram de ser fabricados no final da década. Endividada, a empresa recorreu a empréstimos junto ao governo federal, de José Sarney, que jamais pagaria.[carece de fontes]
Em 1990 a Gurgel mostrava o Motomachine. Inicialmente, apenas os acionistas podiam comprar o carro.[carece de fontes]
O novo governo do Brasil, do presidente Fernando Collor de Melo, tomou medidas que prejudicaram a Gurgel. A primeira delas foi isentar todos os carros com motor menor que 1000cm3 do IPI - o que levou as grandes montadoras estrangeiras instaladas no país a lançar quase que instantaneamente carros com preços similares ao BR-800, mas com mais recursos. Outra medida do governo Collor foi liberar as importações de veículos. Mesmo pagando aliquota de 85%, o Lada Niva era mais barato que os jipes produzidos pela Gurgel.[carece de fontes]
Em janeiro de 1991, o 'BR-800 deixou de ser produzido, assim como todas as linhas de jipes da empresa. Terminava assim uma das duas fontes de recursos da Gurgel. Também naquele ano, os bancos estatais Banespa (do São Paulo) e BEC (do Ceará) concederam novos empréstimos (sem garantias) à Gurgel.[carece de fontes]
Tentando se manter viva no mercado, a Gurgel lançou em 1992 uma evolução do BR-800, o Supermini. O próximo projeto, batizado de Delta, seria um novo carro popular que usaria o mesmo motorGurgel Enertron e custaria entre US$ 4000 e US$ 6000, mas não chegou a ser fabricado. A Gurgel chegou a adquirir algumas das máquinas-ferramenta que acabaram não sendo usadas.[carece de fontes]
Atolada em dívidas e enfraquecida no mercado pela concorrência das transnacionais, a Gurgel pediu concordata em junho de 1993. Em uma última tentativa de salvar a fábrica, em 1994, foi feito um pedido ao governo federal para um financiamento de US$ 20 milhões à empresa, mas este foi negado, e a fábrica encerrou suas atividades em 1994.[carece de fontes]
O registro da marca Gurgel encontrava-se expirado no INPI desde 2003. Em 2004, o empresário Paulo Emílio Freire Lemos adquiriu a marca pelo valor de R$ 850,00. A família Gurgel não foi consultada e por isso decidiu mover uma ação judicial contra o empresário.[2] Naquele mesmo ano, Emílio Freire Lemos lançou o Gurgel TA-01, um triciclo agrícola movido a diesel e nada tem a ver com a antiga fabrica de carros e trata-se de uma importadora que marcou o relançamento da marca Gurgel. Também passou a ser produzida a empilhadeira Gurgel FD-30 TJ.[carece de fontes]